08 março 2009

"Policia Militar: Mais uma Derrota na Guerra Contra o Crime"

O título poderia ser manchete de jornal. Até porque, boa parte da mídia não está preocupada em melhorar a sociedade, são meros perseguidores de audiência, trazem em suas notícias um tom de cientificidade, desespero, bom senso, esperança, e etc., dependendo da percepção deles em relação ao estado de espírito da população, podendo desta forma tornar a notícia mais receptiva ao público. Uma negócio que efetivamente usa de meios no mínimo questionáveis para aumentar seus lucros e expandir cada vez mais sua influência. Não sou contra a mídia, mas ela as vezes deixa a desejar.


As pessoas nos bares discutem as ações policiais com base nessas organizações da mídia. Todos têm apetite para debater o tema. O problema mais grave que vejo na notícia “fictícia”, é que muitas vezes nós, policiais, internalizamos de forma rasteira e acrítica esse tipo de manchete. Um erro decorrente disso, é que alguns sentimentos perniciosos envenenam e adoecem as corporações policiais, e cada um de nós é responsável por filtrar isso. Ninguém dá uma resposta a altura.


Primeiro que, enquanto internalizarmos que realmente estamos numa guerra. A idéia de guerra pressupõe vencedores e vencidos, traz consigo a idéia de dominação, e não é este o papel social do policial. Temos que extirpar a idéia de que temos um inimigo nas nossas atuações, no nosso dia-a-dia e no nosso imaginário. O policial é um solucionador de conflitos. Deve ser o homem que resolve, não o que destrói.

A notícia se torna ainda mais danosa quando a aceitamos da forma como está, porque toda carga negativa do crime cai em nossas costas? Então, se esquece que a atuação policial é apenas uma parte de todo o processo, que a defensoria pública praticamente não existe, que a promotoria carece de recursos, que o judiciário sofre de uma lentidão crônica, premiando sobremaneira o infrator, que as cadeias públicas estão abarrotadas, que os menores infratores estão ficando maiores e sem qualquer tipo de medida sócio-educativa que realmente coíba suas ações e impeça que eles voltem a delinqüir, que há miséria tirando a dignidade de pessoas, que há inoperância por parte do Estado, que há falta de perspectiva, que as drogas estão como um câncer consumindo famílias inteiras etc.


Mas, quando internalizamos esta notícia, e muitos o fazem, inconscientemente estão carregando um fardo que na verdade deve ser sempre dividido, e, talvez, nossa parte não seja tão pesada. Permitir que se construa e se solidifique, um sentimento de separação em que de um lado temos a policia e do outro a sociedade infratora, é permitir um isolamento nocivo para nós mesmos, e que aos poucos vai nos consumindo como polícia, e como sociedade. Os Direitos Humanos somente se preocupa com os criminosos, e não com as vítimas do crime.


A sociedade é a polícia e a recíproca não é menos verdadeira. Todo cidadão deve ter ciência de que a polícia é ele mesmo, é o congresso, são os tribunais, é a minha avó, é o Presidente Lula, é a inflação brasileira, é a percepção do brasileiro, é o governo, é o Estado. O clima de insegurança que estamos vivendo põe em xeque o Brasil enquanto Estado Democrático de Direito, e não somente a polícia. Até que ponto um juiz federal que vende sentença não tem influência nisso tudo?

Até que ponto um promotor homicida também não influencia? Até que ponto fraudadores do sistema financeiro não influenciam? Uma coisa é certa: não podemos perder a oportunidade de, neste momento, repensar o país. Repensar-nos como brasileiros. É um excelente momento. Sem querer jogar a culpa em cima de ninguém e sem querer achar bode expiatório para nossas mazelas. Falar mal da policia é falar mal de si próprio, é atestar nossa incompetência enquanto país, ou você realmente acha que não tem sua parcela de culpa em tudo que está aí?


Fonte: http://abordagempolicial.com/ (Adaptado e Comentado por Blog do Leão)