23 maio 2010

De quem é o problema da violência ?


Por Fábio Brito

Sobre a reportagem do último sábado, entrevista concedida a George Brito, quando me referi ao Processo Cultural, não falei que as Ações eram abusivas e que o fato de serem mortos 10 ou 15, era um tipo de vingança. O que de fato relatei é que a polícia “descobre rapidinho” onde estão os assassinos, citei por exemplo o caso do Policial Federal que foi entregar um Mandado no IAPI e foi confudido com um Policial Civil, após a morte do colega, a Polícia Civil e a Militar, em minutos, chegaram aos meliantes… Vale a máxima de que “brasileiro só fecha a porta depois que ela é arrombada”…

O que quero dizer, é que se o Serviço de Inteligência das Polícias – Militar e Civil – sabem onde as “cobras dormem”, por que esperar a morte de um colega para agir desesperadamente? Em suma, não estou dizendo que sempre há vingança, olho por olho, dente por dente, entretanto, quando as ações são motivadas pela emoção e pela dor, estas por sua vez são desenfreadas, e no calor da dor de perder um colega, põe em risco a vida dos policiais e da própria população.

Se houvesse um maior investimento na PREVENÇÃO da Violência, certamente sairíamos desta “Faixa de Gaza” e estado de sítio em que vivemos. Enquanto isso, o Poder Público em todo o País está preocupado em investir no aparelho policial para combater e prevenir a violência, investindo em viaturas, armamento e efetivo, tudo isso MUITO BARATO e IGUALMENTE INEFICAZ, um mero paliativo, se comparado com a verdadeira solução: Políticas Públicas Sociais.

Enquanto o Poder Público, o Judiciário, o Ministério Público, a Polícia Militar e Civil, não trabalharem em conjunto e integrados com a comunidade e suas associações, com as igrejas Católica e Protestante, Religiões Afro, iniciativa privada etc, estaremos fadados a continuar neste mesmo ciclo vicioso: mais policiais irão morrer, mais bandidos serão executados, mais cidadãos de bem serão assassinados de forma estúpida e não chegaremos nunca a lugar algum.

Costumo me ver e aos meus companheiros como massa de manobra – como os antigos Capitães do Mato, prendendo e matando seus iguais, negros e pobres, eis que o que me diferencia do Marginal, Traficante e Assaltante é só uma coisa: OPORTUNIDADE.

Aos colegas fica a mensagem: A mesma sociedade que, no fundo espera que a Polícia “bote pra quebrar”, como bem dizem os especialistas, é a mesma que vai te recriminar e te apontar, a mesma que irá julgá-lo e condená-lo no Tribunal do Júri. Lembrem-se: a violência não é um problema seu ou meu, mas do Poder Público Instituído e de toda Sociedade.

*Fábio Brito é Primeiro Sargento da Polícia Militar, Bacharel em Direito e Especialísta em Segurança Pública pela Universidade Federal da Bahia – UFBA, além de Coordenador de Assuntos Jurídicos da ASPRA-BA