18 agosto 2011

Filme: Assalto ao Banco Central

Desde quando aconteceu, em 2005, o assalto ao banco central era uma dessas histórias que parecia ter sido tirada de um filme. Foi, certamente, um dos assaltos mais bem planejados que aconteceram aqui na República Tupiniquim. Os cinéfilos de plantão estavam ansiosos pela dramaturgia que recriaria tal evento.

Entretanto, podemos dizer que existem muitos bons filmes com essa mesma temática, o que implicou em uma grande responsabilidade para o roteirista Renê Belmonte, que optou por “romancear” o episódio, demonstrando influências diretas de filmes que glamourizavam crimes e criminosos.

Nada contra aderir a influências, afinal, estamos ainda, simplesmente, fazendo nosso “dever de casa” quando o assunto é a sétima arte, filmes de ação, sobretudo, são uma dificuldade dos nossos estúdios. Se inspirar em filmes comoOnze homens e um segredoO Plano PerfeitoUm Dia de CãoBonnie e Clyde – uma rajada de balasInimigos PúblicosFogo Contra Fogo é quase que inevitável para aqueles que vibraram com essas estórias. Cabe ressaltar que este foi o primeiro longa-metragem do diretor Marcos Paulo, consagrado por dirigir telenovelas globais.
O mais interessante no filme, para nós, policiais, é observar como o cinema recria nossa atuação. No caso do assalto em questão a polícia utilizada é a Polícia Federal, com a belíssima atuação de Giulia Gam (a investigadora Telma Monteiro) e Lima Barreto (o delegado Chico Amorim), sentimos nesses dois personagens o embate entre paradigmas de como se investigar e ser “polícia de verdade”, são enfrentamentos que se estruturam na trama de modo reflexivo, onde elementos como tecnologias de ponta e intuição são questionados para o exercício investigativo.

Senti, particularmente, de modo positivo a abordagem dada a uma metodologia de polícia científica – que constitui uma polícia especializada em produzir a prova técnica – ou prova pericial, por meio da análise científica de vestígios produzidos e deixados durante a prática de delitos. É interessante, porque não temos essa concepção de policiamento difundido em nosso imaginário, é algo que nos remete a seriados norte-americanos, à la Dexter’s. Pensamos que não dispomos de tais meios aqui, logo, temos uma descrença generalizada nas investigações policiais.
Importante pensar como as polícias, inclusive em âmbito estadual, podem introduzir tais padrões de policiamento à sua rotina, dando mais credibilidade, celeridade e segurança no processo de investigação criminal.

Acredito, contudo, que é um excelente pedido para dar um pulinho nos cinemas e poder prestigiar nossos produtos a partir da observação da nossa realidade. Afinal, a arte imita a vida e vice versa, cabe a nós, meros espectadores, pensar acerca da polícia que assistimos na telinha para refletirmos a polícia que podemos/desejamos ser na vida real.