03 novembro 2011

PM Ltda. ou PM S/A

Muito se fala em trazer da iniciativa privada ideias para a aplicação na gestão do serviço público, inspirando-se em empresas particulares para gerir a órgãos estatais. Talvez fosse o caso de transformar, nos limites do possível, a mentalidade de mero operário, existente em grande parte dos policiais, passando a se tornar um sócio acionista da sua instituição.

O serviço prestado pelas polícias não visa auferir lucro pecuniário, não há (ou pelo menos não deve haver) retorno financeiro direto em virtude do sucesso das ações, já que as metas alcançadas são na esfera social, educacional, de segurança, e não na comercialização de um produto ou na prestação de um serviço com valor mensurado em moeda corrente. O controle orçamentário pode exigir das organizações algum tipo de racionamento nos gastos ou cortes nos investimentos, mas aqui se falará em plano macro, na missão precípua da “empresa”.

Desprezando os desvios irregulares, onde de fato haja remuneração pelo simples cumprimento da obrigação, o pensamento é direcionado agora para o cumprimento do dever legal, a prestação de um serviço de excelência na segurança pública. Será que não há servidores desmotivados pelo pensamento de que estão excluídos da etapa de participação nos lucros, sendo eles os responsáveis pela “parte dura” do serviço, ficando a colheita dos frutos a cargo de outros?

Dessa indagação surge a necessidade de priorizar o reconhecimento pelos bons serviços prestados, é essencial que o membro se sinta parte do todo na medida de sua responsabilidade, e consiga vislumbrar o patamar de alcance de suas ações, bem como o retorno que elas trazem. É com essa ideia de inclusão e agregação que talvez se consiga diminuir o número de indivíduos desestimulados, promovendo a desvalorização da instituição como um todo.

Não rebaixe a corporação da qual você faz parte, coloque-a no maior patamar possível! Sem excessos, sem embuste, sem fanfarronice, porém não custa se apegar mais às ações bem sucedidas e fazer o marketing institucional pela propaganda boca a boca. Só que, para isso, é preciso incutir na mente do servidor que ele é parte de uma grande engrenagem, que seu serviço é essencial, e também premiá-lo quando alcançar as metas e trouxer “lucro” expressivo.

Isso se dá através de um “14º salário após a redução de índices“? Talvez sim, mas há ainda outra gama de formas de reconhecimento, no âmbito moral ou financeiro, seja através de folgas, elogios, ou outras maneiras extra-regulamentares de se valorizar os feitos, que talvez nem tenham pleno amparo legal, mas são possíveis de ser providenciadas. Isso é fazer justiça, agrada a quem está certo e tende a fazer refletir o que está no caminho errado.

Por que há bons policiais que trabalham arduamente, enfrentando riscos de forma exemplar, ao longo de anos, sem contudo possuir uma medalha que seja, demonstrando a materialização simbólica do seu mérito, enquanto outros as ostentam às dezenas, sem plena envergadura moral que as respalde?

É necessário fazer com que todos se sintam partes de um só corpo, responsáveis diretos, em diferentes medidas, pelo fracasso ou sucesso institucional. Cada um fazendo o possível para “aumentar a cotação das ações e ver o superávit na Bolsa”, de modo a empoderar toda uma corporação, desde que os lucros sejam repartidos de forma proporcional, como mecanismo de motivação e estímulo a uma produtividade crescente.

Fonte e Foto: Abordagem Policial