25 junho 2012

Salve o Policiamento Ambiental !


É lamentável que os policiais brasileiros sejam pouco formados para entender e atuar na repressão e prevenção de desmandos contra o meio ambiente. Além de terem pouco conhecimento sobre o assunto, dificultando a operação de normas específicas à área, os profissionais de segurança pública – civis ou militares – não são induzidos à apreensão da cultura ambientalista, onde o respeito à vida natural é motivo primeiro para garantir a nossa própria existência.
Como as unidades de policiamento ambiental não são prioridade nas polícias, que não são prioridades nos governos, o sucateamento acaba sendo a consequência natural – salvo a resistência de alguns abnegados – mesmo em unidades da federação onde falar em ambientalismo é o mesmo que falar da razão de ser do estado, como parece ser o caso do Amazonas:
Enquanto representantes do mundo discutem métodos eficazes para a preservação do meio ambiente mundial na Rio+20, os policiais militares lotados no único Batalhão de Polícia especializado em combate aos crimes ambientais no Estado do Amazonas denunciam precariedade nos materiais de serviço, além da falta de um quartel fixo para o desempenho dos seus trabalhos.
Com medo de represálias, os profissionais da segurança pública, que preferem não ter a identidade revelada, afirmam que “a situação está no limite”.
O ápice do problema foi o “despejo” dos policiais que atuam em área terrestre da sede do Batalhão, localizada na Travessa Hermes Fontes nº 60, bairro da Compensa III e que só servirá à equipe até a próxima quarta-feira (20).
Os policiais reclamam da falta mínima de uso das novas instalações oferecidas do Batalhão, um ambiente que serviu de alojamento para os operários que trabalharam nas obras do Programa de Saneamento dos Igarapés de Manaus (Prosamim), e que fica nos fundos do terreno da Vila Olímpica, localizada na Zona Centro-Sul da cidade. A reportagem foi até o local e pode verificar o motivo dos protestos.
O ambiente está aparentemente abandonado, sem janelas e com portas sendo recolocadas. As redes hidráulica e elétrica também estão sem funcionamento.
“Nunca tivemos um prédio fixo, sempre ficamos nesse troca-troca. Isso não só atrapalha nosso trabalho, mas também prejudica a manutenção dos nossos documentos. Muita coisa se perde nessas mudanças”, lamentou um dos denunciantes.
Como o desmatamento e as poluições dificilmente são crimes cometidos significativamente pela população de baixa renda (salvo quando a serviço de patrões), não é difícil entender as forças ocultas que acabam fazendo com que as polícias ambientais fiquem amarradas.

Autor:  - Tenente da Polícia Militar da Bahia, associado ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública e graduando em Filosofia pela UEFS-BA. | Contato: abordagempolicial@gmail.com