08 janeiro 2014

Familiares de desaparecidos no Sul do AM cobram agilidade nas buscas

Polícia Federal diz que equipes estão empenhadas nas buscas. Homens desapareceram há 22 dias em área próxima à reserva indígena.

Larissa Matarésio e Andrezza Lifsitch
Do G1 AM
Esposas de homens desaparecidos durante reunião nesta manhã (Foto: Larissa Matarésio/G1 AM)Esposas de homens desaparecidos durante reunião nesta manhã (Foto: Larissa Matarésio/G1 AM)
Familiares de homens desaparecidos há mais de três semanas no km 85 da BR-230, Rodovia Transamazônica, próximo à aldeia Tenharim, no Sul do Amazonas, criticaram os trabalhos de buscas na região e a falta de notícias sobre as investigações do caso. Eles cobraram agilidade da Polícia Federal de Rondônia (PF-RO). O delegado Federal, Alexandre Alves, garantiu que as equipes estão empenhadas nos trabalhos de buscas.
Luciano Freire, Aldeney Salvador e Stef Pinheiro sumiram desde o dia 16 de dezembro. Após o desaparecimento, a região do Sul do estado registrou diversos protestos violentos. As manifestações resultaram na depredação de prédios e bens públicos de órgãos relacionados a políticas públicas voltadas aos povos indígenas, que precisaram ficar refugiados em um posto daPolícia Federal. Postos de pedágios na Transamazônica, no trecho dentro da reserva Tenharim, também foram destruídos.
Em Humaitá, familiares acompanham as buscas com pouca esperança e se dizem insatisfeitos com o trabalho realizado para tentar localizar os desaparecidos. Nesta manhã, eles estiveram reunidos com o Exército para pedir ajuda nas buscas na selva. O comandante-geral do Comando Militar da Amazônia (CMA), general Villas Bôas, disse que as equipes não medirão esforços para apoiar no que for necessário
Familiares pedidam apoio do Exército nas buscas (Foto: Larissa Matarésio/G1 AM)
Familiares pediram apoio do Exército nas buscas
(Foto: Larissa Matarésio/G1 AM)
Irisneia Santos Azevedo de Souza , de 36 anos, esposa de Stef Pinheiro de Souza, disse em entrevista ao G1, na manhã desta terça-feira (7), que familiares e amigos estão angustiados à espera de notícias. "Só o que vai acalmar a gente é saber o que ocorreu com eles. A pior coisa é a esperar por notícias. Já não temos mais esperanças que eles estejam com vida. Esperamos que isso seja concluído o mais rápido possível", disse.
A espera pela conclusão do caso também deixa aflita Adriana dos Santos Lopes, esposa de Luciano Freire. Ao G1, ela afirmou que também se preocupa com filhos dos desaparecidos. "Está sendo angustiante esperar notícias para saber o que ocorreu com eles. Essa espera é que machuca a família. A tristeza maior é como contar isso para os filhos quando a noticia vier", afirmou.
Buscas
Os trabalhos de buscas aos desaparecidos estão concentrados no trecho que fica entre o km 136 e 150 da Transamazônica (BR-320), em uma região de mata fechada. Ao todo, cerca de 400 homens do Exército, Polícia Federal (PF), Força Nacional, Polícia Militar (PM) e Polícia Rodoviária Federal (PRF) foram enviados ao local. O Exército foi enviado à região para prestar apoio logístico à região do conflito, com o transporte de alimentos e pessoas.


O delegado Federal de Rondônia responsável pelo caso, Alexandre Alves, disse que as equipes estão empenhadas em localizar os desaparecidos. Segundo ele, os trabalhos estão concentrados na região da reserva indígena e cerca de 30 hectares por dia são percorridos pelas equipes durante as buscas. Alves informou ainda que as equipes contam com apoio de helicópteros, cães farejadores. Um biólogo também ajudou a mapear a área para facilitar as buscas.
"É um trabalho muito difícil, mas acreditamos que vamos ter um resultado no tempo adequado. A cobrança de prazos e ao mesmo tempo fazer depredações de patrimônios públicos como os que ocorreram acabam atrapalhando a obtenção de resultados. Enquanto estamos dentro da mata, a população não vê e isso acaba gerando essas dúvidas", disse. O delegado Alves informou ainda que as buscas nas áreas onde PF localizou peças de carros incendiados, na semana passada, foram intensificadas nas área.
Conflitos
Desde o fim de 2013, a área localizada no sul do Amazonas vive dias de instabilidade por conta de protestos violentos que já resultaram na depredação de prédios e bens públicos de órgãos relacionados a políticas públicas voltadas aos povos indígenas, além de ameaças a um grupo de indígenas que estava na cidade e ficou dias abrigado em quartel do Exército. 

Postos de pedágios na Transamazônica, no trecho dentro da reserva Tenharim, também foram destruídos. Fazendeiros defendem a instalação de um posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF) na localidade.

Desaparecidos
Um grupo composto por três pessoas desapareceu em uma região do km 85 da BR-230, Rodovia Transamazônica, em trecho situado entre os municípios amazonenses de Humaitá e Manicoré. Segundo testemunhas, o grupo teria sido visto pela última vez na aldeia de índios da etnia Tenharim. Um dos desaparecidos, Aldeney Ribeiro Salvador, é funcionário da Eletrobras Amazonas Energia. Ele atua na Agência do Distrito de Santo Antônio do Matupi, em Manicoré. Outro desaparecido, segundo a Polícia Federal, é um vendedor de Humaitá

Fonte e Foto: G1 Amazonas