06 janeiro 2014

Lideranças indígenas dizem que pedágio vai voltar no Sul do AM

Tenharins se pronunciaram durante visita de comitiva do Exército e MP. Reserva dos Tenharins é cortada pela rodovia Transamazônica (BR-230).

Larissa Matarésio
Do G1 AM

Pedágio deve voltar à rodovia no dia 10 de janeiro, segundo indígenas (Foto: Larissa Matarésio/G1)Pedágio deve voltar à rodovia no dia 10 de janeiro, segundo indígenas (Foto: Larissa Matarésio/G1)
As lideranças indígenas Tenharim disseram nesta segunda-feira (6) que o pedágio mantido desde 2006 na reserva indígena, localizada no Sul do Amazonas, voltará a ser cobrado. Eles alegam que a taxa de passagem pela Transamazônica (BR-230), que corta a reserva, é “uma compensação por uso de terra indígena” e uma das únicas formas de sustento da aldeia Marmelo.  A cobrança aos motoristas que trafegam pela rodovia foi suspensa após protestos no último dia 27 de dezembro, quando populares atearam fogo em instalações dos Tenharim. 
O cacique Aurélio Tenharim diz que a cobrança não compensará a morte de quase toda a sua etnia durante a construção da Transamazônica, que reduziu de 30 mil índios para os atuais 800 que vivem na aldeia, mas que é uma forma de sustento. “O governo não leva a sério as nossas necessidades. Enquanto não houver diálogo, não tem opção, o pedágio continua”, ressalta.
O entreposto do pedágio tem data para ser reconstruído. A partir do dia 10 de janeiro a cancela que impede a passagem começará a ser produzida e a cobrança a retorna a partir do dia 1 de fevereiro, segundo as lideranças.
O líder Zelito Tenharim ainda ressalta que as leis indigenistas e do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) não favorecem a autonomia indígena. “O índio não pode plantar, não pode vender, não pode produzir o artesanato. Todo projeto sustentável que tentamos implantar na aldeia é barrado. Em contrapartida o governo também não oferece projetos viáveis. O corpo indigenista está ultrapassado. Fica difícil”, relata.
Outros projetos
O general Villas Bôas tentou explicar que este não é o melhor momento para a cobrança recomeçar. “Neste momento a principal preocupação é pacificar a região. Pensando nisso, a reconstrução do pedágio agravaria ainda mais a situação, visto que os moradores do entorno não aceitam a situação. Sabemos que a cobrança é importante para a aldeia, mas temos que pensar em projetos para dar sustentação a longo prazo”, ressaltou.

Índios afirmam que pedágio voltará a ser cobrado na Transamazônica (Foto: Larissa Matarésio/G1)
Exército e índios reuniram dentro da reserva
(Foto:Larissa Matarésio/G1)
Durante a visita da comitiva na aldeia, em nenhum momento foi citada a situação que deu início a tensão que se instalou no sul do Amazonas.
O desaparecimento de três homens que viajavam pela BR-230 e foram vistos pela última vez próximo ao pedágio dos Tenharim. A população local, de Humaitá e Santo Antônio do Matupi acusa os índios pelo desaparecimento.

Fonte e Foto: G1 Amazonas