02 maio 2015

Praças da PM aguardam nova reunião com o governo e cogitam greve

Presidente da APEAM afirmou que caso as reivindicações não sejam atendidas, categoria pode paralisar atividades.
terça-feira 28 de abril de 2015 - 2:56 PM
Isabelle Marques / portal@d24am.com
Protesto começou no início da manhã e só terminou por volta das 14h
Foto: Sandro Pereira
Manaus - Durante o protesto em frente à sede do governo, uma comissão formada por representantes da Polícia Militar, Civil e professores se reuniu com o secretário da Casa Civil do Estado, Raul Zaidan, por volta das 12h desta segunda-feira. Uma nova reunião foi marcada para amanhã, mas o presidente da Associação dos Praças do Estado do Amazonas (Apeam), Gerson Feitosa, não descarta uma paralisação caso as reivindicações não sejam atendidas. Já o governo estadual reiterou a complicada situação econômica para não fazer os reajustes salariais.
De acordo com Lairton Silva, diretor da Apeam, a principal reivindicação é o cumprimento da Lei de Carreiras 4044, aprovada no ano passado após uma greve dos policiais. “Não estamos aqui por reajuste salarial, queremos apenas o cumprimento da lei. Em 21 de abril estavam previstas 2284 promoções que não se concretizaram. Isso frustrou e desvalorizou os policiais e os familiares", afirmou ele. Também estão na pauta da manifestação dos policiais a substituição do regimento disciplinar pelo Código de Ética e a análise de Data-base da categoria
Conforme o presidente da APEAM a reunião de hoje ainda não apresentou soluções. “Hoje apresentamos nossas reivindicações e para amanhã foi marcado outro encontro, às 15h, também com o secretário, para entrarmos em negociação. Caso não apresentem soluções e aprovação imediata dos nossos pedidos, entraremos em greve”, declarou.
O presidente do Sindicato dos Peritos Oficiais do Estado do Amazonas, Marcelo Mauratore, também participou da reunião. Ele afirmou que as explicações para ausência das promoções para os policias são o governo ter atingido o limite da lei orçamentária. “Basicamente, nos informaram que não há dinheiro para realizar o que estamos pedindo e o que estava na lei. Só após a reunião de amanhã, poderemos pensar em como agir”, afirmou.
Participaram da reunião cerca de quinze grupos envolvidos na manifestação, entre sindicatos e associações. Os manifestantes aguardaram o fim da reunião para desbloquear a Avenida Brasil, zona oeste da capital, onde estavam reunidos. O grupo estava reunido desde as 9h da manhã, na concentração Amadeu Teixeira, quando seguiram em carreata a Prefeitura de Manaus e sede de Governo do Estado. 
De acordo com o coordenador de comunicação da Associação Movimentos de Lutas dos Professores de Manaus (Asprom), Lambert Melo, o maior objetivo da manifestação desta manhã era ser atendido pelo governador do Estado do Amazonas, José Melo.
 
"Mais uma vez fomos atendidos pelo chefe da Casa Civil, Raul Zaidan, que apenas repetiu as palavras do governador e afirmou não ter dinheiro nem para um reajuste salarial de 1%. E como fica a verba específica para a educação, o Fundeb [Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica] ?", questionou o professor.
 
Segundo Lambert, o chefe da Casa Civil se comprometeu a conseguir uma reunião com o governador. "Ele já havia nos prometido isso da última vez e não cumpriu com a sua palavra. Ficaremos na expectativa', afirmou..
 
Conforme Lambert Melo, uma nova Assembleia Geral da Asprom será realizada no dia 9 de maio. "Nela iremos definir quais serão os caminhos que tomaremos mais adiante. Caso Zaidan não cumpra o que ele prometeu, há fortes chances de que haja um indicativo de greve", disse ele, ressaltando ser desfavorável a uma paralisação, visto que a "população seria a principal prejudicada".  
 
Resposta governamental
 
Procurada pela reportagem, a Secretaria de Estado de Comunicação (Secom) informou que Raul Zaidan reiterou os problemas econômicos atravessados pelo estado na reunião com os representantes da classe dos professores e da Polícia Militar e Civil. No encontro desta terça-feira, ele reiterou o que já havia sido exposto pelo governador José Melo em encontro com lideranças sindicais e de associações dos servidores no último dia 24 de abril.
 
Na ocasião, o governador informou que o Estado não concederá qualquer reajuste salarial aos servidores até que a economia comece a dar sinais de recuperação. Entre os motivos alegados por José Melo estão a redução de 10,5% na arrecadação de impostos estaduais nos últimos três meses e o estouro no limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal para gastos com pessoal.

A Secom informou ainda que Zaidan deve se reunir novamente com representantes das Polícias Civil e Militar, nesta quarta-feira (29), para avaliar reivindicações que não gerem impacto nos gastos com pessoal.

Houve também outros protestos nos municípios de Humaitá, Parintins, Tabatinga e Itacoatiara. Veja as imagens em Humaitá-AM.